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  Corja da Fanfarra


O amor de verdade é algo muito gostoso...

Ter três namoradas geralmente é bom, mas às vezes elas trazem alguns embaraços, algumas situações não tão boas assim, principalmente no dia dos namorados. O dia comercial do mês de junho, criado quando o comércio não está tão bem das pernas, esse mesmo.

Lembro-me de ocasiões realmente constrangedoras das quais eu fui protagonista neste dia de amor fabricado. Lembro certa vez, acho que foi no ano passado, se não foi, foi há dois anos atrás, de uma tele-mensagem que recebi. Não lembro agora exatamente o conteúdo, deve ter sido essas baboseiras de [i]preciso de você[/i], e todo aquele [i]blá blá blá[/i] de mulheres inseguras e carentes. Até o momento do fim da mensagem, ainda não tinha identificado a pessoa que mandou a mensagem, quando num vislumbre, a minha amiga do outro lado da linha pergunta com um belo sorriso de satisfação, pelo menos foi um sorriso que eu percebi do meu lado da linha:
- Você deseja saber quem foi que enviou esta linda mensagem pra você?
- Meu anjo, eu realmente não saberia dizer. A gente pode fazer um joguinho, eu digo o nome de umas duas ou três meninas que eu ando saindo, aí você confirma pra mim, ta bom?

O diabo é que eu nunca poderia descobrir que a Marcinha, uma das namoradas oficiais, tinha amiga que trabalhava com essas mensagens, e que fui dedurado! Marcinha devolveu as flores jogando na minha cara. Menos mal, foi só trocar o cartão e mandar pra Dani.
- Oh, meu amor! Tão lindas como você! - falou Dani ao recebê-las de minhas próprias mãos um pouco mais tarde naquele dia.
E aquelas meninas inseguras? São tão engraçadas! Namoram por namorar, não vêem nenhuma qualidade no namorado. Pelo contrario, para elas, eles não têm qualidade nenhuma. Então pra quê diabos continuar com um cara assim? É a fabrica do amor novamente em produção.

- Olha, eu falo aqui, olhando nos teus olhos, é só você dizer uma palavra, que eu deixo aquele cara pra ficar contigo!
O que custa abrir os olhos de alguém, fazer ela largar uma pessoa ruim, e ainda se divertir um pouco?
- Meu amor, eu quero ficar com você, larga esse cara e vamos ser feliz, nós dois, contra tudo e contra todos!
Mas nem tudo são flores, me dá uma pena em saber que eu vou ter q terminar com ela hoje. Eu até que gosto dela, mas sabe como é, datas comerciais requerem muito dinheiro, ainda mais pra comprar três presentes diferentes, e hoje, a grana ta curta. Já imaginou se todas quiserem jantar? Como eu vou fazer pra aparecer ao mesmo tempo? Quem sabe, um novo desafio, mas pra datas futuras...

Mas ainda pode acontecer de terminarem comigo antes do fim do dia, aí sobra um presente. E quem sabe nosso amor não continua como sempre foi?! Afinal, os melhores relacionamentos são aqueles baseados em mentiras.


 Escrito por Sósia do Abstrato às 22h28
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Um revolver. Um disparo. Quando começaram os sonhos eu não me lembro, nem quando eles começaram a tomar conta da minha mente. Tudo que eu sei, é que eu não sabia o significado deles até a noite passada. Uma festa, um revolver em uma mão coberta por uma luva negra, um disparo e, algumas vezes, um grito. Não um grito de dor, mas um grito de susto, de histeria. Porém, enfim, tudo se resolveu. Ontem à noite, tudo se resolveu.

E foi como mágica, não como a mágica que vemos nos desenhos animados, mas como a mágica que nos dá a vida, como a mágica que observamos todos os dias, quando olhamos as menores coisas da vida, era essa mágica. Ali, no escuro do porão, com a garota a qual eu amei durante toda a minha adolescência, eu percebi o significado dos sonhos. Notei que eu ainda segurava a latinha de sprite, então, com muito cuidado eu a rasguei ao meio e forcei meus dedos contra uma das metades, produzindo assim um sangramento em minha mão. A olhei, não podia vê-la, mas podia imaginá-la ali, linda como sempre, e eu, ainda extasiado pela descoberta, fiz jus a ela. Segurei uma das metades da lata com uma das mãos, me aproximei e, com um sussurro, pronunciei a mágica das palavras:
- Meu amor, está tão escuro aqui... você não precisa dos seus olhos no escuro, não é?! Dá eles pra mim?

Foi maravilhoso! Naquele momento prometi que nunca mais lavaria as minhas mãos, a qual, infelizmente tive que quebrá-la, pois ainda há pouco a sujei com um pouco de sorvete de chocolate.


 Escrito por Sósia do Abstrato às 21h43
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