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BRASIL, Norte, BELEM, TERRA FIRME, Homem, de 20 a 25 anos MSN -
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Corja da Fanfarra
Arlindo - Um anticristo muito louco
-"Laura, quero te contar uma coisa" -"conte meu amor" -"Bem, eu nao sei como dizer... é que eu ... sabe como é ... eu não sei como dizer" -"Fala logo!" -"Eu queria te dizer uma coisa, não sei como tu vais reagir" -"conta que vais saber, conta logo Arlindo!" -"Eu tenho medo da tua reação, é capaz de tu não querer mais me ver" -"ahh Arlindo deixa disso, só não vou olhar mais pra tua cara se tu me traíres .. tu ... tu não me traístes ne?!" -"Não, não é isso" -"Fala a verdade seu cachorro! eu sabia! eu sabia!" -"Para de chorar não é isso que eu queria te contar" -"Então o que é? snif... chuinf ..." -"É mais complicado que traição" -"ahhh não! já sei, vais terminar comigo! porque?! porque?!" -"Eu já disse: pára de chorar! não tem nada a ver com isso" -"Deve ser aquela safada lá do cachorro quente, ela sempre entrega meus pedidos errados, aquela vagabunda, era uma -afronta pra mim, ela tava te cantando!" -"Como?!" -"Ora mandando meu pedido errado ela queria demonstrar que eu não controlo nada, nem meu sanduiche, quanto menos tu!" -"Tu tá doida Laura!" -"Eu não, ela tá afim de ti sim!" -"Igual àquela mulher da Igreja que queria acender uma vela e me pediu fosforo?!" -"Isso, vagabona!" -"Porra, era uma freira!" -"Pra ti veres! Afinzona de ti" -"Tu és doida!" -"sou é esperta não sou bobalhona que nem tu, mas sim o que tu ias me contar?" -"Sim, eu não sei bem como dizer, tenho medo" -"ah Arlindo deixa de frescura e conta logo, ja tô irritada!" -"Ta bom, vai de uma vez: Eu sou o anticristo!" -"Putz!" -"O que foi?" -"Depois sou eu a doida" -"Sério eu sou o anticristo" -"tu tas andando muito com aqueles caras que lutam pela rua, com aquelas espadas de cobre elétrico" -"que cobre eletrico! são sabres de luz" -"É tudo a mesma merda! Eu aqui preocupada contigo aprontando, querendo terminar comigo" -"É sério, eu sou o anticristo" -"Arlindo vai lavar a louça!" -"Peraí mãe! to ocupado" -"Deves tá bem jogando aquele jogo o hopirari!" -"É ragnarock!" -"tanto faz! vem logo lavar a louça!" -"Peraí mãe! eu to tendo um papo sério com a Laura" -"Ihh é aquela conversa de anticristo?" -"ah a senhora já sabe?!" -"já um dia desses ele passou 3 horas pra me contar, imaginei de tudo, que ele tinha clonado o meu cartao e roubado minha pensao, que tava envolvido com drogas, que tinha arrumado um emprego" -"Poisé dona Mirtes, criou uma falsa expectativa né?" -"PORRA EU SOU O ANTICRISTO! (...) PAREM DE RIR!" -"Ta bom meu filho, ops senhor Anticristo, agora vai lavar a louça" -"Anticristos nao lavam a louça!" -"Não lavam em outros lugares, aqui na minha casa quem quer comer tem que trabalhar" -"Mas eu trabalho!" -"Trabalha, jogando RPM!" -"É RPG!" -"Tanto faz! vai logo lavar a louça Arlindo!" -"Quando eu for o rei das trevas a senhora vai ver mãe!" -"ai ai! vai logo lavar essa louça bora! Onde já se viu tanta gente pro diabo escolher como anticristo vem logo eleger -alguem com o nome de Arlindo" -"O que tem demais? Deus nao escolheu Jesus?" -"Sim mas Jesus recebeu uma repaginada, outro nome, Cristo, nome forte. Agora o teu Arlindo, teus seguidores serão os Arlindãos?" -"Arlindãos?!" -"É os de Cristo não são cristãos?" -"A culpa é sua mãe, foi me colocar esse nome!" -"Como eu ia saber que 32 anos depois irias vir com esse papo de anticristo, se eu soubesse teria colocado outro nome" -"Qual?" -"Sérgio!" -"Porra mãe! Sergio?!" -"É meu filho era o nome do atacante do Bacabal, o Sergio Satanás" -"Sérgio Satanás?!" -"É, tu não és o anticristo?" -"Porra, mas poderia ser Lucifer" -"Que Lucifer, Lucifer é nome de loja de materiais de construçao" -"A senhora só sabe me envergonhar!" -"Olha quem fala, como eu me sinto quando minhas amigas vem aqui em casa e vem um homem de quarenta anos com o quarto cheio de bonecos e roupões" -"Que roupões mãe! São roupas Jedi!" -"E ainda me vem com essa de antepastos" -"Anticristo!" -"Vai logo lavar a louça. Laura conversa com esse rapaz, eu quero um neto" -"Eu já tentei dona Mirtes, mas ele me diz que tem que desenvolver primeiro suas habilidades Jedis" -"Anticristos não devem deixar legado" -"Ah Arlindo cala a boca e vai lavar a louça! Deixa eu conversar com a Laurinha" -"Porra, quando eu for o rei das trevas a senhora vai se ver comigo!" -"Pelo menos tu vais ter um emprego!" -"Rei das trevas não é emprego, é uma predileção" -"É achei demais tu pensares em ganhar algum dinheiro. Olha eu não sou eterna" -"Ahh não é! Mas quando eu assumir o trono das trevas a senhora vai ser tratada como uma rainha" -"E eu lá quero ir pro inferno! nem me mete nessas conversas de chifre e tridente pra lá vai só tu!" "Tá tocando a campainha dona Mirtes!" -"Atende pra mim Laurinha,tenho que ver essa panela no fogo. Vai lavar a louça Arlindo!" -"Ahhhhhh eu já vou!" -"Arlindo é pra ti, um rapaz dizendo que é o diabo, disque chegou tua hora de assumir o trono" -"Rá! não falei pra voces?" -"Que "Rá" é esse? Parece o Sergio Malandro amor!" -"Não dá idéia Laurinha, daqui a pouco ele tá fazendo salci fru fru aqui" -"Eu já vou mãe, tá na hora de assumir o reino do caos" -"Tu só sai daqui depois de lavar a louça!" -"mas ... mas .... e o Diabo" -"Eu lá quero saber de Diabo, a mãe dele que cuide dele." -"Ele não teve mãe!" -"Deve ser por isso que ele fica inventando conversa furada pra outros mais doidos que ele entrarem" -"Eu já vou sim!" -"Só sai daqui depois de lavar a louça! Vou tomar banho, quando voltar quero a louça toda limpinha" -"Arlindo, pega leve com a tua mãe!" -"Essa velha vai ver quando eu for o rei das trevas" -"Mas enquanto não és vai lavando a louça. Só sai quando terminar"
Escrito por Antonio Pereba às 01h00
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Daquele que se concede à insanidade
Em um rancho aparentemente muito antigo, localizado no interior de uma pequena entrada, quase que imperceptível, de uma rodovia pouco movimentada, foi encontrado uma velha caixa de madeira, que parecia feita artesanalmente e sem nenhum capricho. Nesta caixa foram encontrados alguns pertences: um par de alianças, um velho baralho de papelão corroído pelo tempo, um maço grande de dinheiro que não vale mais, e um velho diário com uma capa de couro com um antigo brasão, ainda não identificado, e folhas muito amarelas.
Folheando o livro, encontrei receitas de tortas, simpatias de fim de ano, algumas notas sobre algumas festas que foram realizadas, mas um relato em especial me chamou a atenção. Em anexo, segue uma transcrição do original, seguindo as mesmas falhas encontradas no caderno.
“... e eu já estava há dias naquele mesmo jeito. Não poderia ser nada diferente, afinal eu gosto de viver aqui sozinho, com meu filho. E esse mesmo visitante que o citei anteriormente já saciara minha necessidade de comunicação. Pra falar com sinceridade, ele já era um estorvo. Meu filho tinha ido até a cidade comprar alguns mantimentos quando o rapaz chegou, ainda pela manhã.
Se apresentou como sendo um oficial rodoviário, alegando ser uma localidade muito isolada, tentando justificar a falta de atenção dada a ela. Eu não me importo com nada disso, quanto menos gente tentando escarafunchar a minha vida, um tanto melhor, mas eu não poderia demonstrar isso a ele, deveria ser educado. Uma chatice essa cousa de fingir gostar de quem a gente não gosta! Pro inferno!
Ainda sem ultrapassar a porteira perguntou de minha criação de galinhas, como diabos ele sabia da minha criação de galinhas?! A vizinhança aqui é rara mas eles também fazem as merdas de fofocas deles! Tentei ainda ser educado e confesso que não sei como me saí, mas isso não interessa mais. Perguntou sobre meu filho, eu respondi que tinha ido à cidade comprar mantimentos, como sempre ia. ‘Mas na cidade, faz muito tempo que seu filho não aparece lá’ ,Foi o que me respondeu o tal rapaz. Se não fosse pela raiva que sinto dessa merda, de ter que dar satisfações a todo mundo, eu não escreveria isso pra tentar espairecer.
‘E como o senhor acha que eu consigo meus mantimentos? Como o senhor acha que eu sobrevivo então, senhor oficial?’ respondi, e notei a forma como ele me olhou, de forma rígida, e respondeu já sem aquele sorriso amistoso do inicio da conversa, eu preferi assim. ‘Eu preciso entrar na casa, agora!’. Abriu a porteira e se convidou a entrar. Eu já sabia o que ia acontecer, então me preparei.
Ao entrar em casa, o oficial tossiu com toda a força que conseguiu, agarrou um lenço e o levou ao nariz, cambaleando, quase caindo no chão. Talvez tenha sido o cheiro, o qual ele não estava acostumado. Conseguiu pôr os sentidos em ordem e caminhou até o quarto, o quarto. O que fica trancado. Que filho da puta! ‘Abre!’. Ordenou. Eu puxei a chave do bolso e a girei na fechadura. Quando a porta abriu, não sem gemer como se sentisse a dor do mundo, o oficial tombou novamente.
‘Velho filho da puta!’ Tentou empunhar a arma, mas o tempo não foi suficiente. A primeira pancada com a pá fez o sangue do nariz borrifar contra minha roupa. A segunda o fez cair de vez no chão. A terceira o deixou sem respiração. Fiquei mais calmo. A quarta deve ter tirado alguns dentes. Houveram mais algumas que me deixaram ofegante.
Agora o cheiro ia ser pior. Dois cadáveres em um mesmo quarto. Um oficial rodoviário e o meu único filho. Mortos com a mesma pá. O engraçado é que ela ainda não enterrou nenhum defunto, mas quem sabe um dia. Levaria mais alguns longos dias até eu me acostumar novamente com o cheiro. Algumas pessoas dizem que é tóxico, que faz mal. Pra mim nunca fez mal nenhum, é só se acostumar.
Guardei a pá, enxuguei o suor do rosto e voltei pra cadeira de balanço pra esperar meu filho voltar do mercado. Ele estava demorando.
Escrito por Sósia do Abstrato às 09h04
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a confissão
-"Padre eu queria me confessar" -"Conte seus pecados" -"ahh seu padre eu tenho pecado muito" -"conte todos os seus pecados, se arrependa que Deus a absolverá" -"padre, eu cometi um pecado muito grave" -"O coraçao de Deus é enorme para perdoar qualquer falha conte o pecado minha filha" -"ahh padre, eu cometi o pecado do adulterio" -"como?" -"eu fui a uma festa de suingue" -"ah minha filha hoje todos suingam" -"serio seu padre?!" -"é minha filha eu mesmo ja suinguei muito" -"padre?!!!" -"é minha filha! eu adoro o harmonia do samba, é suingueira do inicio ao fim" -"nao seu padre, nao é esse suingue, é uma festa de troca de casais" -"minha filha?!" -"é seu padre!" -"e porque seu marido nao veio se confessar' -"porque eu nao fui com ele" -"foi sozinha?" -"não, com outro rapaz" -"entao voce traiu o seu marido indo a festa com outro rapaz?" -"nao foi bem assim né seu padre, eu trai o meu marido com outros rapazes da festa" -"com quantos?' -"12!" -"que putaria!" -"o quê seu padre?" -"que putaria do caralho!" -"ohh!" -"porra tu fode com todo mundo e ainda queres pagar se ofendida?" -"ahh padre, eu queria me confessar!" -"confesse!" -"mas suas reaçoes nao estao me deixando a vontade" -"ora vai te fuder, porra tu fudeu com 10 homens ..." -"foram 12 padre" -"caralho!" -"ahh padre eu nao confesso mais." -"ta bom, continue minha filha" -"entao seu padre, eu cheguei na festa ..." -"tinha alguem da paroquia lá?" -"tinha sim, mas eu nao vou contar" -"nao vai contar o caralho, se nao contar nao te absolvo" -"o que?" -"isso mesmo me conta logo senao tu vais pro inferno" -"ahh!" -"o que é? duvido se vais ter coragem de contar isso pra outra pessoa" -"porra padre o senhor é foda, ta bom! o seu alameida estava lá ..." -"ele nunca me enganou aquele puto." -"a dona cidinha" -"caralho, puta merda, ela só tem cara de santa." -"pro senhor ver padre" -"quem mais tava lá?" -"ahh padre toda a paroquia quase" -"Caralho!" -"nao nao padre o carvalho nao foi, tava de serviço" -"porra, me diz uma coisa, por que ninguem nunca veio confessar isso?" -"porque fizemos um pacto de silencio, ninguem conta nada pra ninguem" -"caralho, além de puta tu ainda é traíra!" -"queria salvar minha alma padre!" -"tu tá é fudida, vai logo te acostumando com o calor" -"como assim?!" -"tu vai pro inferno!" -"ohhh!" -"isso mesmo! o diabo vai espetar teu cu pela eternidade!" -"só tem uma chance pra te salvar" -"qual é?" -"antes me diz uma coisa" -"claro!" -"rola o segredo mesmo nessa festa?" -"rola sim padre, pro senhor ter uma ideia essa festa existe a 10 anos" -"caralho! que sacanagem! é por isso que recebo doaçoes tao boas pra ca, é remorso" -"pro senhor ver!" -"muita onda minha filha, mas e melhor assim que a igreja fica mais bonita" -"mas o senhor falava da unica maneira de salvar a minha alma" -"ah sim, me da o endereço da festa e a data da proxima" -"pra que?" -"me da logo!" -"pra que?" -"nao interessa!" -"só dou se o senhor me disser pra que" -"se nao me deres tu vai pro inferno putona" -"ahh esses padres sao foda chegam logo falando em inferno. Ta aqui no papel a data e o endereço" -"beleza!"
... no dia da festa ... -"padre! o que o senhor faz aqui?" -"hoje eu como todo mundo!" -"padre?! é uma festa de suingueres o senhor tem que vir acompanhado" -"eu vim com o coroinha -"caralho! o senhor ta doido!" "senhor é o caralho! tira essa roupa e ajoelha pra rezar!" "vamos pro inferno?" "Deus perdoa tudo minha filha!"
Escrito por Antonio Pereba às 21h37
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