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  Corja da Fanfarra


afteroon delight parte 2 - tem que ler a 1 antes

Silvana desconversou, corada, e perguntou
-"Eu nao vim aqui falar da minha vida sexual! que barulho foi esse aí?!"
Ubaldo com um sorrisinho nos labios responde:
-"parece barulho de boquete ne?!"
Silvana esbugalhou mais os olhos e deixou Ubaldo com medo que voltou a ficar serio respondendo:
-"Caiu um cadaver no meu quintal!"
- "Como assim?"
-"Um cadaver porra, um presunto, um pé junto, aquilo que coloca no caixao"
- "como caiu?"
- "Sei la, tava tomando café e ouvi o barulho"
- "pra ouvir isso tu serves, agora pra ouvir os gemidos da noiva fudendo com outro tu nao ouvias ne?"
Ubaldo ameaçou chorar, Silvana reconheceu que pegou pesado e mudou novamente de assunto:
- "Vamos lá ver"
caminharam os dois pela sala e chegaram logo ao quintal onde perceberam que o defunto já estava gelado, apesar do sol escaldante. O relogio agora marcava 11:30. Ubaldo virou para silvana convidado:
- "vamos almoçar?"
- "vamos, mas deixa eu trocar de roupa, nao vou demorar!"
-"Ahh aquela miseravel que demorava pra se trocar, uma, as vezes duas horas pra se vestir. Como eu sou idiota, ela provavelmente ficava fudendo no quarto enquanto eu a esperava".
Nesse instante volta Silvana e diz:
- "ihh lascou-se! esqueci a chave trancada dentro de casa"
- "almoçamos aqui mesmo, vamos fazer um piquenique"
Ubaldo entao preparou uma cesta farta e levou para o quintal, onde se pôs a papear com a sua vizinha. Ambos conversavam e comiam compulsivamente, principalmente uns pasteizinhos de camarao que Ubaldo comprara na noite anterior, logo restara so um salgado e os dois desconversavam pra ver quem comia o ultimo, o pastel da vergonha.
-"Ahh!"
-"Paguei" gritou Ubaldo
-"peguei primeiro!" rosnou Silvana.
- "porra nenhuma, fui eu!" Ubaldo contestou
-"Cade o cavalheirismo"
- "Cavalheirismo o caralho, fui chifrado direto e ainda me vens falar de respeitar mulher. É tudo safada!"
- "E a morta?"
- "Tambem, devia ta fudendo na janela e caiu, quem manda ser puta!"
- "Respeita os mortos"
A discussao foi interrompida por outro toque na campainha, Ubaldo vai abrir e se depara com um policial:
- " Boa tarde senhor, recebemos telefonemas sobre uma moça que se jogou do predio atras de sua casa e caiu no seu quintal"
- "ahhh o presunto! Pode entrar seu guarda ela ta la nos fundos"
o guarda adentrou o quintal e viu o piquenique e a morta proxima ao desjejum.
- "ahh entao voces também são da seita do almoço com os mortos!" disse o policial
- "que seita rapaz?!" exclamou assustado Ubaldo.
- "Nao precisa esconder meu rapaz, eu tambem sou praticante. É uma religiao em que as pessoas se reunem pra comer pastel de camarao com os cadaveres"
- "Que bando de doido filho da puta faria isso?" perguntou coçando a cabeça
- "tu e a alegria de padeiro" disse o policial apontando pra Silvana e se aproximando e abaixando para olhar o cadaver
- "Voces são uns hipocritas, nao deram um pastelzinho pra coitada, olha a cara dela de fome!" disse o guarda apontado pro cadaver.
Nesse instante entrou outro policial pela casa dizendo
- "chefe, descobri que e a mulher que se matou!"
- "Quem?" respondeu o chefe dividindo pastel ao meio e dando na boca do defunto.
- "Ela se chama Clotilde e morava no apartamento 607. Tava fazendo amor pendurada na janela com o marido e caiu"
Nesse instante ouviu-se outro estalo, mas de estrondo menor, era Ubaldo rindo freneticamente dando murros na palma da outra mao aberta dizendo para Silvana:
- "Nao te disse, mulher é tudo safada!"



 Escrito por Antonio Pereba às 23h38
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Afternoon Delight

Eram nove da manhã, Ubaldo aproveitava o dia de folga para fazer o que melhor sabia, dormir, nessa arte ele era mestre, dormia de bruços, de peito pra cima, de lado, e, pasmem, até em pé. Nos últimos meses Ubaldo se especializava na arte de dormir de olhos abertos, mas sempre sucumbia e fechava-os. Durante aquela manhã ele já havia acordado, mas continuava olhando para o teto, cantarolando uma música triste, pensando no seu amor vestido de palhaço e servindo de chacota para todos que o rodeavam. O amor dele tinha até uma flor que espirrava agua, mas ultimamente usava mais um lenço enorme que levava no bolso para enxugar as lagrimas, quanto mais chorava, mas riam dele.Enquanto passeava por lembranças de amores antigos Ubaldo, já de pé, segurava uma xicara de café quase fria e repetia o refrao da mesma musica,lembrando do noivado desfeito 2 horas antes do casamento por causa de um italo americano com pinta de viado, quando ouvira um barulho vindo do quintal.

O barulho quase faz Ubaldo se derramar a xicara de cafe, era um som forte, como de um tijolo sendo atirado em um teto de zinco, como uma manga caindo com toda pressa no telhado de um onibus. Ubaldo correu ao quintal curioso pelo barulho, ao atravessar a porta fronteiriça entre a cozinha e os fundos da casa, ele se deparou com uma imagem chocante. Um cadaver. Um cadaver branco, quase não cadaver, a nao ser pela expressao de espanto e alivio presentes em seu semblante, tinha feiçao confusa no rosto, mas parecia saber perfeitamente o que fazia. Era uma moça braca, pele bem alva, cabelos ruivos, alta, corpo bem definida, realmente uma moça muito bonita. Ubaldo examinou bem o cadaver, sem esperanças de encontrar vida naquele corpo, mas fitava aquela pessoa inerte deitada em cima de suas ervas cidreiras que plantou para acalmar sua amada, quando tivesse crises de ciume, cada vez mais constantes quanto aumentava a insegurança dela dividida entre Ubaldo e o italo americano.

Enquanto pensava nas cidreiras Ubaldo voltou a si, aquilo não era brincadeira, era um cadaver, uma pessoa tinha pulado, ou sido empurrada, ou escorregado, ou tentado voar, Ubaldo então se lembrou de ícaro e o seu sonho de chegar até o céu, "ahh se os sonhadores tivessem exito talvez nao fosse tão ardilosa a arte de sonhar", "sonhar como eu sonhei, quando pedi a mão dela em noivado na frente de toda a minha familia, depois dos conselhos que minha mãe me dava, ainda me achava no direito de arremeda-la", enquanto enxugava a primeira lagrima, fingindo nao chorar, Ubaldo voltou a si e deparou-se novamente com a realidade. Tinha um cadaver no seu quintal, alguém poderia dar por falta daquela pessoa, talvez tivesse filhos, fosse casada, ou quem sabe noiva. "como eu fui um dia!".

O relogio indicava dez horas da manhã, Ubaldo já pensara nos filhos que teria, em como Olivia ficaria quando ficasse velha "provavelmente igual a escrota da mae dela", em quanto pagaria de pensao quando desejasse troca-la por uma mais nova, sempre falando baixinho, quase resmungando, com o cadaver, que continuava ali, cumplice dos pensamentos conflituosos daquele rapaz. "Como um poema barroco",agora ele gritava esmurrando a parede, "o nosso amor era como um poema barroco, "cheio de antiteses e paradoxos, nunca ia dar certo", quando a mao de Ubaldo ja estava armada para dar o segundo murro na parede, ele ouve o barulho da campainha e corre para atende-la, da de cara com uma jovem morena de cabelos encaracolados desgrenhados, com cara de quem acabou de acordar e com os olhos esbugalhados gritando:
- "que barulho foi esse?"
- "que barulho?"
- "esse estrondo, veio do teu quintal, saí correndo de casa pra ver o que foi"
- "porra mas isso foi 9 horas, já são 10:15"
- "poisé, mas eu tava tomando café, sabes a importancia do café na refeição diaria?"
- "Sei sim, é minha refeição favorita. Gosto de tomar café com leite condensado em paezinhos do seu Fidalgo"
- "O que?! paezinhos do seu Fidalgo?! Nao sabia que ele explora seus empregados? deixa os coitadinhos trabalhando até de madrugada"
- "o trabalho é bom para eles! melhor estarem fazendo pão do que enchendo a cara pela rua!"
- "O que?! Não senhor! os trabalhadores tem direitos! tem familia! namorada!
- "ahhh então andavas te engraçando com o padeiro do seu Fidalgo né?"
- "err... Eu nao! mas te coloca na pele deles"
- "eu sei o que é se padeiro, amassar e amassar pros outros comerem ... ah vida ingrata!"
- "ahhh sim.. tu que es o corno que se mudou pra ca essa semana né? muito prazer me chamo Silvana"
- "ahhh sim... a boqueteuira da padaria, dia desses fui lá comprar pão e vi eles falando do sanduba que eles te davam pra comeres com um recheio carnudo".

 Escrito por Antonio Pereba às 23h38
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