BRASIL, Norte, BELEM, TERRA FIRME, Homem, de 20 a 25 anos
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  Corja da Fanfarra


Ah... o Marajó! A maior ilha do mundo... Fonte de amores infindavies,mãe de uma natureza inigualável e palco de historias de todos os tipos: amores, aventuras, até histórias insólitas... Nas linhas a seguir, tento transmitir uma dessas historias, que aconteceu comigo e um grupo de amigos, quando nos aventurávamos na ilha em busca de novas ilusões.

Caminhávamos pela rua, alguns um pouco 'felizes', a noite já se tornara veterana e deu lugar à madrugada. Madrugada esta, definitivamente escura. Todos estávamos relativamente frustrados com a casa noturna da qual havíamos saído sem muitas aventuras. "Apareçam lá na praia! Vai ter um Luau Que vai fazer a vida de vocês valer a pena!" - Disse uma voz meiga e bêbada de uma moça enquanto caminhávamos. Resolvemos ir até lá. O lual em si, nada teve de especial, mas os acontecimento que tomaram conta da noite a partir desse convite é que merecem atenção. Seria uma longa caminhada até a praia.

A partir de um determinado ponto do caminho, decidimos voltar à casa onde estávamos hospedados, pois o cansaço era demais. Como por mágica, atravessa um vulto na nossa frente... com uma face indecifrável, tal era a escuridão da madrugada, parecia muito bêbado. '- Onde Estão indo?' - perguntou a voz do estranho.
- Estávamos indo para a praia, para um luau que mudaria nossa vida, mas...
- Eu levo vocês até lá! - adiantou-se sem deixar eu terminar a frase. - Comigo vocês não tem com o que se preocupar com o que há de errado com a cidade... é... pode não parecer... mas tem muita coisa de errado com essa cidade... vocês não iam querer ver o que eu ja vi... encontrar o que eu já encontrei...
- Tudo bem, tudo bem... - concordei achando que nao passava de um bêbado maluco querendo companhia pra beber.. Lá íamos nós de volta à praia! Talvez nenhum dos outros tenha percebido... mas pelo através da escuridão... eu pude notar um sorriso, um sinistro sorriso... pronto a gargalhar a qualquer momento. Pode ter sido impressão.

"Aqui ninguém mexe comigo!! Eles sabem quem eu sou!" - resmungava o sujeito desconhecido enquanto caminhávamos.

- O senhor pode ir embora já... daqui nós podemos seguir sozinhos...
- NÃO!! Minha missão é levar vocês até final... até o final... Se alguma coisa acontecer a vocês.. nem imaginem... eu serei... ESQUEÇAM! - Falou, demonstrando agora mais do que nunca seu tom de bêbado. Já estava se tornando inconveniente.

Chegamos à praia... nenhum sinal de agitação... nada. Ao longe se via algumas luzes, talvez uma fogueira, talvez nada.
- até o final... - sussurrava nosso 'amigo' em um tom quase ininteligível... o sorriso dera lugar a uma expressão agora seria... imutável, rígida. Não cambaleava mais.

A praia era a descrição perfeita do paraíso. Ao lado direito nosso, algumas pousadas sem nenhuma movimentação, exceto por uma ao longe, onde supostamente estaria ocorrendo a tal festa, à esquerda, o mar... belo mar, sua água prateada pela luz da lua... e que lua. Hipnotizava qualquer um. O mais belo luar de todos. Quando chegamos, ela encontrava o mar em sua infinidade: era o paraíso!

Eu e mais dois amigos descemos um pouco a areia do mar tentando de algum jeito nos livrarmos da companhia daquele bêbado, já pensando mil coisas sobre seu caráter. Alguns minutos de caminhada e chegamos ao local onde supostamente ocorria a festa!
- Hoje em dia andam chamando qualquer porcaria de festa! - resmungou um amigo quando vimos somente duas mesas ocupadas por bêbados que batucavam nelas musicas antigas.

Caminhamos em direção a um fogueira formada por alguém. Ele ainda em nosso encalço.

- Pronto, o sr já nos trouxe em segurança, já pode ir embora! - um de nós disse, na esperança de se livrar daquele cara.
- EU SÓ SAIO DAQUI COM VOCÊS!! - respondeu quase que automaticamente.

Nos entrosamos com o pessoal da fogueira e ficamos conversando por um tempo. Alguns deles chegaram a conclusão de comprar alguma coisa para beber, para aquecer aquela madrugada fria.

- Eu vou! - O nosso 'convidado' prontamente falou! - O sorrido de volta em sua face. - Mas alguém vai comigo!
- Claro... a gente não vai deixar tu fugir com a nossa bebida! - Alguém falou em tom de desafio!

Alguns de nós resolveram tomar banho de mar sob a luz do luar. A minha opção e de um amigo, foi deitar e dormir, apreciando o luar mais bonito que ja vimos na vida. Quando abri os olhos, os que tinha ido tomar banho, estavam sentados junto à fogueira, os que tinham ido comprar a bebida também estavam sentado à beira da fogueira, mas o sujeito nao estava mais lá. Perguntei a todos onde ele estava... o pessoal do banho disse que quando voltaram, ele já não tava mais lá... o pessoal da bebida disse que nem se lembraram se ele voltara com eles. Ninguém viu quando ele desapareceu. Eu notei que a bebida já estava quase no fim, então falei em tom de brincadeira: "Cara... vcs bebem pra caramba, hein!", foi quando parecendo que acordara de um transe, um deles me falou: "Cara... nós não bebemos tudo isso!!! Não mesmo... é Estranho!"

Nessa hora, a musica invadiu nossos ouvidos, agora sim a festa tava pegando fogo! Alguém convidou:
-Vamu la... a festa tá bombando!!!
- Vão vocês... eu vou ficar aqui... aproveitando a lua... – respondi com um sussurro sem tirar os olhos do céu. – a lua...

 



 Escrito por Sósia do Abstrato às 18h31
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