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  Corja da Fanfarra


"Numa linda noite bela, saímos pela madrugada. Ela e o namorado dela, eu e minha namorada...". Essa era a musica que fazia sucesso entre os bêbados daquele boteco. E eu estava ali, querendo de alguma forma me entrosar enquanto esperava a bela Esmeralda, uma jovem muito doce, porém muito palida que costumava manter mais alegres as minhas terdes frias. Hoje ela estava demorando demais.

Notei um homem de meia idade, com o rosto fechado, trajando um terno e segurando uma valise. Apesar de ser um terno vagabundo e desbotado, era demais para um lugar como aquele. Nem sinal de Esmeralda

A mesa de bilhar, mãe dos prazeres terrenos, agora servia de mesa de carteado dos taxistas de um ponto adjacente ao bar. E eu ali, batucando o balcao fingindo estar à vontade naquele lugar. Nem sinal de Esmeralda.

O Homem de terno agora estava mais inquieto do que quando eu entrei, como se esperasse por alguem que ja está atrasado. Minha atenção se voltava agora para dois bebados trajados como minha mae em dia de missa importunando a todos os que jogavam seu carteado. Nem sinal de Esmeralda.

Depois de comer dois palitinhos de frango deixados ali por um outro bebado, notei a cara de felicidade do sujeito de terno ao atender o seu portátil (celular). Meio sem querer, ouvi suas palavras finais: "licurgo é fiel!". E saiu, explodindo de felicidade,  segurando firme a valise. Pouco depois, bem atrás de mim, pude ouvir aquela voz inconfundivel e doce: "Ah, você ja está ai? por favor me desculpa a demora, ta?". Era Esmeralda.

Ela segurava uma valise.



 Escrito por Sósia do Abstrato às 11h52
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