Naquele balcao de bar eu ja estava acostumado ouvir certas historias de desilusões, amores perdidos, casamentos desfeitos. Mas aquela vez era diferente de tudo o que eu ja vi. Aquele sujeito estava totalmete raivoso e angustiado. Falava sozinho, bufando e resmungava. Em seu copo, cachaça barata.
- O que te deixa assim, meu bom homem? - tentei iniciar uma conversa.
- Cala a boca. - me cortou como se eu fosse um queijo desprezivel - voces mudam as leis... voces mudam tudo... essas guerras idiotas travadas por voces... ainda bem que vai acabar! ele vai voltar e os infiéis terão o que merecem!
- De quem estais falando?
- Já mandei calar a boca! Ele vai vir na surdina... é capaz de ja estar aqui.. aí voces provarão o preço da infidelidade! Está próximo... eu sei! EU SEI!!!
Vi que qualquer diálogo com ele estava fora de cogitação, entao fiquei rindo um sorriso marotomechedo negativamente a cabeça, quando fui interrompido novamente:
- É... eu sei, agora eu sou louco, não é?? Eu nao to nem aí pro que tu pensa... tu também vai ter o teu castigo...
Ja estava pronto pra uma resposta digna daquele merecedor, quando fui cortado pelo agudo som de "Mozart 40" saído de seu telefone portátil(celular).
- Salve!... O que? ... Mentira?! ... Estou indo agora mesmo ... Um grande abraço, e muito obrigado... Licurgo é Fiel!
Agora o que dominava sua face era um grande sorriso.. seus olhos brilhavam de uma forma que eu nunca tinha visto! Ele puxou uma nota de R$ 10,00 e colocou em cima do balcão e saiu dali mais depressa do que um furacão. Peguei aquela nota e troquei por uma de R$1,00, o suficiente pra pagar aquela cachaça barata. vi um conhecido entrando e, ja completamente esquecido do acontecido, falei ao homem do balcão:
- Aí amigão, me ve mais dez fichas, beleza?
Escrito por Sósia do Abstrato às 11h27
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