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BRASIL, Norte, BELEM, TERRA FIRME, Homem, de 20 a 25 anos MSN -
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Corja da Fanfarra
o amor e suas incertezas cruéis
Ele estava a pensar como fazia todas as noites antes de dormir, pensamentos e teorias que estavam a todo o vapor, mas que de manhã não conseguia dar seqüência e na maioria das vezes nem lembrava mais o q lhe era tão interessante na noite anterior. Desta vez era diferente não era sobre conspiração nenhuma, era algo do seu coração, ele estava desejoso de amar mais do que podia. Será que na vida sempre temos que encontrar amores não correspondidos? Ou seria lei nos depararmos com amores proibidos? Por que será que as mulheres são sempre mais ciumentas? Interrompendo seus pensamentos entrou a enfermeira no quarto sem bater, esta também estava muito pensativa. Como um homem desse todo certinho, pôde se apaixonar por uma mulher bissexual? Por que será que ela não abriu o jogo e disse logo que tinha uma namorada? Deve ser muito triste para um homem levar um golpe assim na genitália a ponto de quase perde-la.... é, quem manda ele dar o flagrante da namorada com a outra e querer participar da festinha... No outro dia de manhã os mesmos pensamentos da noite fervilhavam como brasa na cabeça do rapaz.
Escrito por Valentim às 17h15
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Plenamente carnaval
Não era por ser casado q Ruberio nao se divertiria nesse carnaval. Juntou-se a amigos para um litoral onde cada um tinha sua própria lei. Atos de liberdade como correr nu com seus amigos pela praia, se agarrar com todas as mocinhas pelo caminho (até as gravidas), dormir em seu proprio vomito (e no dos outros) podem parecer loucura para nós, mas estavam sendo os melhores momentos de sua vida. Nos dois primeiros dias nao sentiu falta nem de comida, muito menos de sua casa, mulher, tv de plasma, todas as tecnologias e confortos que sempre teve. Como foi citado, nesse litoral cada um tinha sua propria lei, Ruberio nao se empolgou em elabora-las, em sua cabeça tinha apenas divisao de passado e presente, o passado que determinou que tudo é vaidade e o presente que chamou de descaso. Pensou que sua TV de Plasma nunca trouxe a felicidade em q sentia nakela praia, aquele seu espaçoso sofá era apenas luxo e que nao duraria aos movimentos que Ruberio fazia na beira da praia em boa companhia, tudo era realmente vaidade. E assim Rubério definiu sua regra n° 1: O que nao é vaidade é descaso. sua regra n° 2 foi definida ao ver os peitinhos da mulata que passava nas proximidades, mas isso já eh outra historia de carnaval...
Escrito por Valentim às 17h34
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O amor de verdade é algo muito gostoso...
Ter três namoradas geralmente é bom, mas às vezes elas trazem alguns embaraços, algumas situações não tão boas assim, principalmente no dia dos namorados. O dia comercial do mês de junho, criado quando o comércio não está tão bem das pernas, esse mesmo.
Lembro-me de ocasiões realmente constrangedoras das quais eu fui protagonista neste dia de amor fabricado. Lembro certa vez, acho que foi no ano passado, se não foi, foi há dois anos atrás, de uma tele-mensagem que recebi. Não lembro agora exatamente o conteúdo, deve ter sido essas baboseiras de [i]preciso de você[/i], e todo aquele [i]blá blá blá[/i] de mulheres inseguras e carentes. Até o momento do fim da mensagem, ainda não tinha identificado a pessoa que mandou a mensagem, quando num vislumbre, a minha amiga do outro lado da linha pergunta com um belo sorriso de satisfação, pelo menos foi um sorriso que eu percebi do meu lado da linha: - Você deseja saber quem foi que enviou esta linda mensagem pra você? - Meu anjo, eu realmente não saberia dizer. A gente pode fazer um joguinho, eu digo o nome de umas duas ou três meninas que eu ando saindo, aí você confirma pra mim, ta bom?
O diabo é que eu nunca poderia descobrir que a Marcinha, uma das namoradas oficiais, tinha amiga que trabalhava com essas mensagens, e que fui dedurado! Marcinha devolveu as flores jogando na minha cara. Menos mal, foi só trocar o cartão e mandar pra Dani. - Oh, meu amor! Tão lindas como você! - falou Dani ao recebê-las de minhas próprias mãos um pouco mais tarde naquele dia. E aquelas meninas inseguras? São tão engraçadas! Namoram por namorar, não vêem nenhuma qualidade no namorado. Pelo contrario, para elas, eles não têm qualidade nenhuma. Então pra quê diabos continuar com um cara assim? É a fabrica do amor novamente em produção.
- Olha, eu falo aqui, olhando nos teus olhos, é só você dizer uma palavra, que eu deixo aquele cara pra ficar contigo! O que custa abrir os olhos de alguém, fazer ela largar uma pessoa ruim, e ainda se divertir um pouco? - Meu amor, eu quero ficar com você, larga esse cara e vamos ser feliz, nós dois, contra tudo e contra todos! Mas nem tudo são flores, me dá uma pena em saber que eu vou ter q terminar com ela hoje. Eu até que gosto dela, mas sabe como é, datas comerciais requerem muito dinheiro, ainda mais pra comprar três presentes diferentes, e hoje, a grana ta curta. Já imaginou se todas quiserem jantar? Como eu vou fazer pra aparecer ao mesmo tempo? Quem sabe, um novo desafio, mas pra datas futuras...
Mas ainda pode acontecer de terminarem comigo antes do fim do dia, aí sobra um presente. E quem sabe nosso amor não continua como sempre foi?! Afinal, os melhores relacionamentos são aqueles baseados em mentiras.
Escrito por Sósia do Abstrato às 22h28
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Um revolver. Um disparo. Quando começaram os sonhos eu não me lembro, nem quando eles começaram a tomar conta da minha mente. Tudo que eu sei, é que eu não sabia o significado deles até a noite passada. Uma festa, um revolver em uma mão coberta por uma luva negra, um disparo e, algumas vezes, um grito. Não um grito de dor, mas um grito de susto, de histeria. Porém, enfim, tudo se resolveu. Ontem à noite, tudo se resolveu.
E foi como mágica, não como a mágica que vemos nos desenhos animados, mas como a mágica que nos dá a vida, como a mágica que observamos todos os dias, quando olhamos as menores coisas da vida, era essa mágica. Ali, no escuro do porão, com a garota a qual eu amei durante toda a minha adolescência, eu percebi o significado dos sonhos. Notei que eu ainda segurava a latinha de sprite, então, com muito cuidado eu a rasguei ao meio e forcei meus dedos contra uma das metades, produzindo assim um sangramento em minha mão. A olhei, não podia vê-la, mas podia imaginá-la ali, linda como sempre, e eu, ainda extasiado pela descoberta, fiz jus a ela. Segurei uma das metades da lata com uma das mãos, me aproximei e, com um sussurro, pronunciei a mágica das palavras: - Meu amor, está tão escuro aqui... você não precisa dos seus olhos no escuro, não é?! Dá eles pra mim?
Foi maravilhoso! Naquele momento prometi que nunca mais lavaria as minhas mãos, a qual, infelizmente tive que quebrá-la, pois ainda há pouco a sujei com um pouco de sorvete de chocolate.
Escrito por Sósia do Abstrato às 21h43
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El Mariachi
Alberto procurou pela sua moeda da sorte antes de sair para a entrevista de emprego. Ela não estava em nenhum lugar. Pensou se o cachorro novamente a teria engolido. Sentou na cama e resolveu se desarrumar e voltar a dormir, afinal, ir pra entrevista sem a moeda da sorte era certeza de fracasso. Deitou na cama e ficou ali olhando pro teto, achando um desperdício de tempo ter que trocar de roupa pra poder voltar a dormir. Mariachi, o cachorro de Alberto, uma mistura de pastor alemão com Poodle, veio chegando como quem não quer nada e quando menos se esperou deitou na cama com Alberto e se aconchegou ao lado dele. - Devolva minha moeda da sorte! – falou Alberto sem nenhuma vontade, ainda com os olhos do teto, já ficando fechados. A resposta do cachorro foram quatro lambidas na mão do dono, que passou a afagá-lo com ela. - Quem eu quero enganar? Eu não consigo ficar com raiva de ti... – falou novamente com o cachorro e virou para o outro lado, abraçando seu travesseiro de espuma canadense, presente de sua antiga namorada. Durante algum tempo a ditadura do silencio imperou sobre aquele lar, até que, uma voz de senhora veio se aproximando da porta. - Ah, o Alberto é muito esforçado! Eu não sei por que nada dá certo pra ele, deve ser olho-gordo daquela Tatiana que se meteu com ele, eu avisei que ela não era flor que se cheire! Agora mesmo ele foi pra uma entrevista de emprego, e, se Deus quiser, dessa vez ele consegue! - É... – apenas confirmou uma segunda voz, também de uma senhora, pouco antes de ouvir-se o barulho da porta. Depois de algum tempo, ouvindo-se somente o barulho de colocar coisas sobre mesas e de sacolas de plástico, a primeira voz volta a falar: - Ele até se esqueceu do sanduíche que eu fiz pra ele! Neste exato instante, Mariachi recomeçou a lamber a mão do dono, fazendo este acordar do sono profundo que se encontrava. Alberto ouviu então, os barulhos de coisas nos cômodos externos ao que se encontrava. “Meu Deus, a mamãe chegou!”. Resolveu ficar quieto, sem mexer nem um músculo para não levantar suspeitas. Ficou na posição imóvel durante alguns minutos, até ouvir as vozes se afastando e novamente o barulho da porta se fechando. Depois de algum tempo não ouvia mais nada. “Ufa....” Pensou se poderia voltar a dormir. Em um primeiro momento achou que sim, mas logo pensou em algo que o fez mudar de idéia imediatamente: “Será que ela fez aquele sanduíche com queijo e mortadela e me deixou de café da manhã?” Esse pensamento o fez se animar um pouco. Saiu do quarto, foi até a cozinha e ficou maravilhado com o embrulho em papel alumínio que o esperava em cima da mesa. Apanhou o pacote, foi até o sofá da sala e ligou a televisão para assistir os desenhos. Mal havia iniciado a comilança, viu que Mariachi assistia à cena do sanduíche com a mesma cara que os namorados ficam quando a namorada diz que ficará sozinha em casa. Alberto olhou um pouco sério para o cachorro, mas logo depois abriu um pequeno sorriso. - Quem eu quero enganar? Eu não consigo ficar com raiva de ti... – e rasgou um pedaço do sanduíche, jogando no chão para o cachorro, que comeu mansamente. E com a mão, a que não segurava o sanduíche, fez um cafuné na cabeça do cachorro.
Escrito por Sósia do Abstrato às 10h13
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Arlindo - Um anticristo muito louco
-"Laura, quero te contar uma coisa" -"conte meu amor" -"Bem, eu nao sei como dizer... é que eu ... sabe como é ... eu não sei como dizer" -"Fala logo!" -"Eu queria te dizer uma coisa, não sei como tu vais reagir" -"conta que vais saber, conta logo Arlindo!" -"Eu tenho medo da tua reação, é capaz de tu não querer mais me ver" -"ahh Arlindo deixa disso, só não vou olhar mais pra tua cara se tu me traíres .. tu ... tu não me traístes ne?!" -"Não, não é isso" -"Fala a verdade seu cachorro! eu sabia! eu sabia!" -"Para de chorar não é isso que eu queria te contar" -"Então o que é? snif... chuinf ..." -"É mais complicado que traição" -"ahhh não! já sei, vais terminar comigo! porque?! porque?!" -"Eu já disse: pára de chorar! não tem nada a ver com isso" -"Deve ser aquela safada lá do cachorro quente, ela sempre entrega meus pedidos errados, aquela vagabunda, era uma -afronta pra mim, ela tava te cantando!" -"Como?!" -"Ora mandando meu pedido errado ela queria demonstrar que eu não controlo nada, nem meu sanduiche, quanto menos tu!" -"Tu tá doida Laura!" -"Eu não, ela tá afim de ti sim!" -"Igual àquela mulher da Igreja que queria acender uma vela e me pediu fosforo?!" -"Isso, vagabona!" -"Porra, era uma freira!" -"Pra ti veres! Afinzona de ti" -"Tu és doida!" -"sou é esperta não sou bobalhona que nem tu, mas sim o que tu ias me contar?" -"Sim, eu não sei bem como dizer, tenho medo" -"ah Arlindo deixa de frescura e conta logo, ja tô irritada!" -"Ta bom, vai de uma vez: Eu sou o anticristo!" -"Putz!" -"O que foi?" -"Depois sou eu a doida" -"Sério eu sou o anticristo" -"tu tas andando muito com aqueles caras que lutam pela rua, com aquelas espadas de cobre elétrico" -"que cobre eletrico! são sabres de luz" -"É tudo a mesma merda! Eu aqui preocupada contigo aprontando, querendo terminar comigo" -"É sério, eu sou o anticristo" -"Arlindo vai lavar a louça!" -"Peraí mãe! to ocupado" -"Deves tá bem jogando aquele jogo o hopirari!" -"É ragnarock!" -"tanto faz! vem logo lavar a louça!" -"Peraí mãe! eu to tendo um papo sério com a Laura" -"Ihh é aquela conversa de anticristo?" -"ah a senhora já sabe?!" -"já um dia desses ele passou 3 horas pra me contar, imaginei de tudo, que ele tinha clonado o meu cartao e roubado minha pensao, que tava envolvido com drogas, que tinha arrumado um emprego" -"Poisé dona Mirtes, criou uma falsa expectativa né?" -"PORRA EU SOU O ANTICRISTO! (...) PAREM DE RIR!" -"Ta bom meu filho, ops senhor Anticristo, agora vai lavar a louça" -"Anticristos nao lavam a louça!" -"Não lavam em outros lugares, aqui na minha casa quem quer comer tem que trabalhar" -"Mas eu trabalho!" -"Trabalha, jogando RPM!" -"É RPG!" -"Tanto faz! vai logo lavar a louça Arlindo!" -"Quando eu for o rei das trevas a senhora vai ver mãe!" -"ai ai! vai logo lavar essa louça bora! Onde já se viu tanta gente pro diabo escolher como anticristo vem logo eleger -alguem com o nome de Arlindo" -"O que tem demais? Deus nao escolheu Jesus?" -"Sim mas Jesus recebeu uma repaginada, outro nome, Cristo, nome forte. Agora o teu Arlindo, teus seguidores serão os Arlindãos?" -"Arlindãos?!" -"É os de Cristo não são cristãos?" -"A culpa é sua mãe, foi me colocar esse nome!" -"Como eu ia saber que 32 anos depois irias vir com esse papo de anticristo, se eu soubesse teria colocado outro nome" -"Qual?" -"Sérgio!" -"Porra mãe! Sergio?!" -"É meu filho era o nome do atacante do Bacabal, o Sergio Satanás" -"Sérgio Satanás?!" -"É, tu não és o anticristo?" -"Porra, mas poderia ser Lucifer" -"Que Lucifer, Lucifer é nome de loja de materiais de construçao" -"A senhora só sabe me envergonhar!" -"Olha quem fala, como eu me sinto quando minhas amigas vem aqui em casa e vem um homem de quarenta anos com o quarto cheio de bonecos e roupões" -"Que roupões mãe! São roupas Jedi!" -"E ainda me vem com essa de antepastos" -"Anticristo!" -"Vai logo lavar a louça. Laura conversa com esse rapaz, eu quero um neto" -"Eu já tentei dona Mirtes, mas ele me diz que tem que desenvolver primeiro suas habilidades Jedis" -"Anticristos não devem deixar legado" -"Ah Arlindo cala a boca e vai lavar a louça! Deixa eu conversar com a Laurinha" -"Porra, quando eu for o rei das trevas a senhora vai se ver comigo!" -"Pelo menos tu vais ter um emprego!" -"Rei das trevas não é emprego, é uma predileção" -"É achei demais tu pensares em ganhar algum dinheiro. Olha eu não sou eterna" -"Ahh não é! Mas quando eu assumir o trono das trevas a senhora vai ser tratada como uma rainha" -"E eu lá quero ir pro inferno! nem me mete nessas conversas de chifre e tridente pra lá vai só tu!" "Tá tocando a campainha dona Mirtes!" -"Atende pra mim Laurinha,tenho que ver essa panela no fogo. Vai lavar a louça Arlindo!" -"Ahhhhhh eu já vou!" -"Arlindo é pra ti, um rapaz dizendo que é o diabo, disque chegou tua hora de assumir o trono" -"Rá! não falei pra voces?" -"Que "Rá" é esse? Parece o Sergio Malandro amor!" -"Não dá idéia Laurinha, daqui a pouco ele tá fazendo salci fru fru aqui" -"Eu já vou mãe, tá na hora de assumir o reino do caos" -"Tu só sai daqui depois de lavar a louça!" -"mas ... mas .... e o Diabo" -"Eu lá quero saber de Diabo, a mãe dele que cuide dele." -"Ele não teve mãe!" -"Deve ser por isso que ele fica inventando conversa furada pra outros mais doidos que ele entrarem" -"Eu já vou sim!" -"Só sai daqui depois de lavar a louça! Vou tomar banho, quando voltar quero a louça toda limpinha" -"Arlindo, pega leve com a tua mãe!" -"Essa velha vai ver quando eu for o rei das trevas" -"Mas enquanto não és vai lavando a louça. Só sai quando terminar"
Escrito por Antonio Pereba às 01h00
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Daquele que se concede à insanidade
Em um rancho aparentemente muito antigo, localizado no interior de uma pequena entrada, quase que imperceptível, de uma rodovia pouco movimentada, foi encontrado uma velha caixa de madeira, que parecia feita artesanalmente e sem nenhum capricho. Nesta caixa foram encontrados alguns pertences: um par de alianças, um velho baralho de papelão corroído pelo tempo, um maço grande de dinheiro que não vale mais, e um velho diário com uma capa de couro com um antigo brasão, ainda não identificado, e folhas muito amarelas.
Folheando o livro, encontrei receitas de tortas, simpatias de fim de ano, algumas notas sobre algumas festas que foram realizadas, mas um relato em especial me chamou a atenção. Em anexo, segue uma transcrição do original, seguindo as mesmas falhas encontradas no caderno.
“... e eu já estava há dias naquele mesmo jeito. Não poderia ser nada diferente, afinal eu gosto de viver aqui sozinho, com meu filho. E esse mesmo visitante que o citei anteriormente já saciara minha necessidade de comunicação. Pra falar com sinceridade, ele já era um estorvo. Meu filho tinha ido até a cidade comprar alguns mantimentos quando o rapaz chegou, ainda pela manhã.
Se apresentou como sendo um oficial rodoviário, alegando ser uma localidade muito isolada, tentando justificar a falta de atenção dada a ela. Eu não me importo com nada disso, quanto menos gente tentando escarafunchar a minha vida, um tanto melhor, mas eu não poderia demonstrar isso a ele, deveria ser educado. Uma chatice essa cousa de fingir gostar de quem a gente não gosta! Pro inferno!
Ainda sem ultrapassar a porteira perguntou de minha criação de galinhas, como diabos ele sabia da minha criação de galinhas?! A vizinhança aqui é rara mas eles também fazem as merdas de fofocas deles! Tentei ainda ser educado e confesso que não sei como me saí, mas isso não interessa mais. Perguntou sobre meu filho, eu respondi que tinha ido à cidade comprar mantimentos, como sempre ia. ‘Mas na cidade, faz muito tempo que seu filho não aparece lá’ ,Foi o que me respondeu o tal rapaz. Se não fosse pela raiva que sinto dessa merda, de ter que dar satisfações a todo mundo, eu não escreveria isso pra tentar espairecer.
‘E como o senhor acha que eu consigo meus mantimentos? Como o senhor acha que eu sobrevivo então, senhor oficial?’ respondi, e notei a forma como ele me olhou, de forma rígida, e respondeu já sem aquele sorriso amistoso do inicio da conversa, eu preferi assim. ‘Eu preciso entrar na casa, agora!’. Abriu a porteira e se convidou a entrar. Eu já sabia o que ia acontecer, então me preparei.
Ao entrar em casa, o oficial tossiu com toda a força que conseguiu, agarrou um lenço e o levou ao nariz, cambaleando, quase caindo no chão. Talvez tenha sido o cheiro, o qual ele não estava acostumado. Conseguiu pôr os sentidos em ordem e caminhou até o quarto, o quarto. O que fica trancado. Que filho da puta! ‘Abre!’. Ordenou. Eu puxei a chave do bolso e a girei na fechadura. Quando a porta abriu, não sem gemer como se sentisse a dor do mundo, o oficial tombou novamente.
‘Velho filho da puta!’ Tentou empunhar a arma, mas o tempo não foi suficiente. A primeira pancada com a pá fez o sangue do nariz borrifar contra minha roupa. A segunda o fez cair de vez no chão. A terceira o deixou sem respiração. Fiquei mais calmo. A quarta deve ter tirado alguns dentes. Houveram mais algumas que me deixaram ofegante.
Agora o cheiro ia ser pior. Dois cadáveres em um mesmo quarto. Um oficial rodoviário e o meu único filho. Mortos com a mesma pá. O engraçado é que ela ainda não enterrou nenhum defunto, mas quem sabe um dia. Levaria mais alguns longos dias até eu me acostumar novamente com o cheiro. Algumas pessoas dizem que é tóxico, que faz mal. Pra mim nunca fez mal nenhum, é só se acostumar.
Guardei a pá, enxuguei o suor do rosto e voltei pra cadeira de balanço pra esperar meu filho voltar do mercado. Ele estava demorando.
Escrito por Sósia do Abstrato às 09h04
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a confissão
-"Padre eu queria me confessar" -"Conte seus pecados" -"ahh seu padre eu tenho pecado muito" -"conte todos os seus pecados, se arrependa que Deus a absolverá" -"padre, eu cometi um pecado muito grave" -"O coraçao de Deus é enorme para perdoar qualquer falha conte o pecado minha filha" -"ahh padre, eu cometi o pecado do adulterio" -"como?" -"eu fui a uma festa de suingue" -"ah minha filha hoje todos suingam" -"serio seu padre?!" -"é minha filha eu mesmo ja suinguei muito" -"padre?!!!" -"é minha filha! eu adoro o harmonia do samba, é suingueira do inicio ao fim" -"nao seu padre, nao é esse suingue, é uma festa de troca de casais" -"minha filha?!" -"é seu padre!" -"e porque seu marido nao veio se confessar' -"porque eu nao fui com ele" -"foi sozinha?" -"não, com outro rapaz" -"entao voce traiu o seu marido indo a festa com outro rapaz?" -"nao foi bem assim né seu padre, eu trai o meu marido com outros rapazes da festa" -"com quantos?' -"12!" -"que putaria!" -"o quê seu padre?" -"que putaria do caralho!" -"ohh!" -"porra tu fode com todo mundo e ainda queres pagar se ofendida?" -"ahh padre, eu queria me confessar!" -"confesse!" -"mas suas reaçoes nao estao me deixando a vontade" -"ora vai te fuder, porra tu fudeu com 10 homens ..." -"foram 12 padre" -"caralho!" -"ahh padre eu nao confesso mais." -"ta bom, continue minha filha" -"entao seu padre, eu cheguei na festa ..." -"tinha alguem da paroquia lá?" -"tinha sim, mas eu nao vou contar" -"nao vai contar o caralho, se nao contar nao te absolvo" -"o que?" -"isso mesmo me conta logo senao tu vais pro inferno" -"ahh!" -"o que é? duvido se vais ter coragem de contar isso pra outra pessoa" -"porra padre o senhor é foda, ta bom! o seu alameida estava lá ..." -"ele nunca me enganou aquele puto." -"a dona cidinha" -"caralho, puta merda, ela só tem cara de santa." -"pro senhor ver padre" -"quem mais tava lá?" -"ahh padre toda a paroquia quase" -"Caralho!" -"nao nao padre o carvalho nao foi, tava de serviço" -"porra, me diz uma coisa, por que ninguem nunca veio confessar isso?" -"porque fizemos um pacto de silencio, ninguem conta nada pra ninguem" -"caralho, além de puta tu ainda é traíra!" -"queria salvar minha alma padre!" -"tu tá é fudida, vai logo te acostumando com o calor" -"como assim?!" -"tu vai pro inferno!" -"ohhh!" -"isso mesmo! o diabo vai espetar teu cu pela eternidade!" -"só tem uma chance pra te salvar" -"qual é?" -"antes me diz uma coisa" -"claro!" -"rola o segredo mesmo nessa festa?" -"rola sim padre, pro senhor ter uma ideia essa festa existe a 10 anos" -"caralho! que sacanagem! é por isso que recebo doaçoes tao boas pra ca, é remorso" -"pro senhor ver!" -"muita onda minha filha, mas e melhor assim que a igreja fica mais bonita" -"mas o senhor falava da unica maneira de salvar a minha alma" -"ah sim, me da o endereço da festa e a data da proxima" -"pra que?" -"me da logo!" -"pra que?" -"nao interessa!" -"só dou se o senhor me disser pra que" -"se nao me deres tu vai pro inferno putona" -"ahh esses padres sao foda chegam logo falando em inferno. Ta aqui no papel a data e o endereço" -"beleza!"
... no dia da festa ... -"padre! o que o senhor faz aqui?" -"hoje eu como todo mundo!" -"padre?! é uma festa de suingueres o senhor tem que vir acompanhado" -"eu vim com o coroinha -"caralho! o senhor ta doido!" "senhor é o caralho! tira essa roupa e ajoelha pra rezar!" "vamos pro inferno?" "Deus perdoa tudo minha filha!"
Escrito por Antonio Pereba às 21h37
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A viagem
-"eu vou me vingar de todos voces seus putos!" -"ihh o teo despirocou de novo!" -"é um filho da puta mesmo, vem aqui na minha casa me sacanear" -"que isso pai? ele tá doente!" -"doente é o caralho Lisa, esse fudido ta é de sacanagem" -"Cala boca velho fudido! Essa tua sapatilha é uma merda!" -"Ta vendo filha, vem na minha casa sacanear com a minha roupa!" -"Porra seu Agenor essa sapatilha é feia pra caralho!" -"Cala a boca Carmem, pelo menos não me filmaram fudendo!" -"(...)" -"O que esse fudido ta dizendo?" -"O mascarado ta dizendo que ele adoraria fazer um filme pornô com a Carmem" -"Sabem com quantas mãos o mascarado bate punheta? duas uma pra bater outra pra gemer!" -"Porra o Alexandre incorpora no Teo e haja piada escrota" -"Eu nao to incorporado" -"Nem contar piada esse galado sabe, só sabe enrabar minha filha, se pelo menos me desse um taxi" -"(...)" -"Que porra é essa que esse palhaço ta querendo dizer?" -"Ele ta dizendo que ele dar um taxi pra Carmem se ela fizer um filme com ele" -"Eu heim, fiquei puta com o Mauro, ele nem me avisou que tava filmando, dava pelo menos pra eu me pentear melhor" -"Ahahaha, seu Agenor chupa pica! comi tua filha e mesmo depois de morto vim come-la!" -"Teo, seu pudim de cachaça do caralho para de falar besteira, já não basta esse zé mané que anda vestido que nem um palhaço -"o dia inteiro fazendo um monte de firula afrescalhada" -"nao fala assim do mascarado pai!" -"cala a boca Zeca, tu és um ze buceta, assume filho que nem teu é!" -"(...)" -"o que foi agora caralho?!" -"ele ta mandando voce tomar no olho do cú pai" -"o meu protetor ta dizendo que o Alexandre lambeu a panela e azedou todo o almoço" -"Protetor filho da puta!" -"o que é isso téo?" -"Cala a boca!" -"oi pessoal!" -"Fala Alberto" -"o Alberto usa a peruca" -"Cala a boca porra! sai desse corpo Alexandre viado!" -"aiii! eu não to incorporado" -"porra Téo que papo é esse de dizeres que eu uso peruca?" -"o mascarado que contou" -"melhor usar peruca que ter cara de pica!" -"(...)" -"cara de pica sim! fica colocando essas mascaras pra esconder esse rosto mais feio que as roupas do seu Agenor" -"Porra peraí Alberto até tu sacaneando com minha roupa?" -"porra tua roupa rivaliza com a do mascarado como a mais escrota da novela" -"(...)" -"Ele ta dizendo que usa as roupas da puta da tua mãe que ela deixa na cama dele toda noite" -"Te fode mascarado!" -"Tibério, vamos jantar!" -"Caralho la vem aquela velha fogenta querer pica!" -"Bora logo merda" -"espera aí que estamos conversando sobre a peruca do Alberto" -"eu não uso peruca!" -"Usa sim, maldito!" -"Cala boca Téo" -"agora eu sou o Alexandre" -"(...)" -"Ele ta perguntando que é Alexandre" -"Foi uma bichinha que não aguentou e se matou" -"Cala a boca maldito!" -"Téo tá bom de cachaça porra, tomastes até meu perfume" -"que perfume seu Agenor? o senhor vive fedendo" -"Bora todo mundo jantar" -"baranga escrota!" -"Cala a boca Téo!" -"Eu nao disse nada, foi o Seu Tibério"
Escrito por Antonio Pereba às 00h18
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afteroon delight parte 2 - tem que ler a 1 antes
Silvana desconversou, corada, e perguntou -"Eu nao vim aqui falar da minha vida sexual! que barulho foi esse aí?!" Ubaldo com um sorrisinho nos labios responde: -"parece barulho de boquete ne?!" Silvana esbugalhou mais os olhos e deixou Ubaldo com medo que voltou a ficar serio respondendo: -"Caiu um cadaver no meu quintal!" - "Como assim?" -"Um cadaver porra, um presunto, um pé junto, aquilo que coloca no caixao" - "como caiu?" - "Sei la, tava tomando café e ouvi o barulho" - "pra ouvir isso tu serves, agora pra ouvir os gemidos da noiva fudendo com outro tu nao ouvias ne?" Ubaldo ameaçou chorar, Silvana reconheceu que pegou pesado e mudou novamente de assunto: - "Vamos lá ver" caminharam os dois pela sala e chegaram logo ao quintal onde perceberam que o defunto já estava gelado, apesar do sol escaldante. O relogio agora marcava 11:30. Ubaldo virou para silvana convidado: - "vamos almoçar?" - "vamos, mas deixa eu trocar de roupa, nao vou demorar!" -"Ahh aquela miseravel que demorava pra se trocar, uma, as vezes duas horas pra se vestir. Como eu sou idiota, ela provavelmente ficava fudendo no quarto enquanto eu a esperava". Nesse instante volta Silvana e diz: - "ihh lascou-se! esqueci a chave trancada dentro de casa" - "almoçamos aqui mesmo, vamos fazer um piquenique" Ubaldo entao preparou uma cesta farta e levou para o quintal, onde se pôs a papear com a sua vizinha. Ambos conversavam e comiam compulsivamente, principalmente uns pasteizinhos de camarao que Ubaldo comprara na noite anterior, logo restara so um salgado e os dois desconversavam pra ver quem comia o ultimo, o pastel da vergonha. -"Ahh!" -"Paguei" gritou Ubaldo -"peguei primeiro!" rosnou Silvana. - "porra nenhuma, fui eu!" Ubaldo contestou -"Cade o cavalheirismo" - "Cavalheirismo o caralho, fui chifrado direto e ainda me vens falar de respeitar mulher. É tudo safada!" - "E a morta?" - "Tambem, devia ta fudendo na janela e caiu, quem manda ser puta!" - "Respeita os mortos" A discussao foi interrompida por outro toque na campainha, Ubaldo vai abrir e se depara com um policial: - " Boa tarde senhor, recebemos telefonemas sobre uma moça que se jogou do predio atras de sua casa e caiu no seu quintal" - "ahhh o presunto! Pode entrar seu guarda ela ta la nos fundos" o guarda adentrou o quintal e viu o piquenique e a morta proxima ao desjejum. - "ahh entao voces também são da seita do almoço com os mortos!" disse o policial - "que seita rapaz?!" exclamou assustado Ubaldo. - "Nao precisa esconder meu rapaz, eu tambem sou praticante. É uma religiao em que as pessoas se reunem pra comer pastel de camarao com os cadaveres" - "Que bando de doido filho da puta faria isso?" perguntou coçando a cabeça - "tu e a alegria de padeiro" disse o policial apontando pra Silvana e se aproximando e abaixando para olhar o cadaver - "Voces são uns hipocritas, nao deram um pastelzinho pra coitada, olha a cara dela de fome!" disse o guarda apontado pro cadaver. Nesse instante entrou outro policial pela casa dizendo - "chefe, descobri que e a mulher que se matou!" - "Quem?" respondeu o chefe dividindo pastel ao meio e dando na boca do defunto. - "Ela se chama Clotilde e morava no apartamento 607. Tava fazendo amor pendurada na janela com o marido e caiu" Nesse instante ouviu-se outro estalo, mas de estrondo menor, era Ubaldo rindo freneticamente dando murros na palma da outra mao aberta dizendo para Silvana: - "Nao te disse, mulher é tudo safada!"
Escrito por Antonio Pereba às 23h38
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Afternoon Delight
Eram nove da manhã, Ubaldo aproveitava o dia de folga para fazer o que melhor sabia, dormir, nessa arte ele era mestre, dormia de bruços, de peito pra cima, de lado, e, pasmem, até em pé. Nos últimos meses Ubaldo se especializava na arte de dormir de olhos abertos, mas sempre sucumbia e fechava-os. Durante aquela manhã ele já havia acordado, mas continuava olhando para o teto, cantarolando uma música triste, pensando no seu amor vestido de palhaço e servindo de chacota para todos que o rodeavam. O amor dele tinha até uma flor que espirrava agua, mas ultimamente usava mais um lenço enorme que levava no bolso para enxugar as lagrimas, quanto mais chorava, mas riam dele.Enquanto passeava por lembranças de amores antigos Ubaldo, já de pé, segurava uma xicara de café quase fria e repetia o refrao da mesma musica,lembrando do noivado desfeito 2 horas antes do casamento por causa de um italo americano com pinta de viado, quando ouvira um barulho vindo do quintal.
O barulho quase faz Ubaldo se derramar a xicara de cafe, era um som forte, como de um tijolo sendo atirado em um teto de zinco, como uma manga caindo com toda pressa no telhado de um onibus. Ubaldo correu ao quintal curioso pelo barulho, ao atravessar a porta fronteiriça entre a cozinha e os fundos da casa, ele se deparou com uma imagem chocante. Um cadaver. Um cadaver branco, quase não cadaver, a nao ser pela expressao de espanto e alivio presentes em seu semblante, tinha feiçao confusa no rosto, mas parecia saber perfeitamente o que fazia. Era uma moça braca, pele bem alva, cabelos ruivos, alta, corpo bem definida, realmente uma moça muito bonita. Ubaldo examinou bem o cadaver, sem esperanças de encontrar vida naquele corpo, mas fitava aquela pessoa inerte deitada em cima de suas ervas cidreiras que plantou para acalmar sua amada, quando tivesse crises de ciume, cada vez mais constantes quanto aumentava a insegurança dela dividida entre Ubaldo e o italo americano.
Enquanto pensava nas cidreiras Ubaldo voltou a si, aquilo não era brincadeira, era um cadaver, uma pessoa tinha pulado, ou sido empurrada, ou escorregado, ou tentado voar, Ubaldo então se lembrou de ícaro e o seu sonho de chegar até o céu, "ahh se os sonhadores tivessem exito talvez nao fosse tão ardilosa a arte de sonhar", "sonhar como eu sonhei, quando pedi a mão dela em noivado na frente de toda a minha familia, depois dos conselhos que minha mãe me dava, ainda me achava no direito de arremeda-la", enquanto enxugava a primeira lagrima, fingindo nao chorar, Ubaldo voltou a si e deparou-se novamente com a realidade. Tinha um cadaver no seu quintal, alguém poderia dar por falta daquela pessoa, talvez tivesse filhos, fosse casada, ou quem sabe noiva. "como eu fui um dia!".
O relogio indicava dez horas da manhã, Ubaldo já pensara nos filhos que teria, em como Olivia ficaria quando ficasse velha "provavelmente igual a escrota da mae dela", em quanto pagaria de pensao quando desejasse troca-la por uma mais nova, sempre falando baixinho, quase resmungando, com o cadaver, que continuava ali, cumplice dos pensamentos conflituosos daquele rapaz. "Como um poema barroco",agora ele gritava esmurrando a parede, "o nosso amor era como um poema barroco, "cheio de antiteses e paradoxos, nunca ia dar certo", quando a mao de Ubaldo ja estava armada para dar o segundo murro na parede, ele ouve o barulho da campainha e corre para atende-la, da de cara com uma jovem morena de cabelos encaracolados desgrenhados, com cara de quem acabou de acordar e com os olhos esbugalhados gritando: - "que barulho foi esse?" - "que barulho?" - "esse estrondo, veio do teu quintal, saí correndo de casa pra ver o que foi" - "porra mas isso foi 9 horas, já são 10:15" - "poisé, mas eu tava tomando café, sabes a importancia do café na refeição diaria?" - "Sei sim, é minha refeição favorita. Gosto de tomar café com leite condensado em paezinhos do seu Fidalgo" - "O que?! paezinhos do seu Fidalgo?! Nao sabia que ele explora seus empregados? deixa os coitadinhos trabalhando até de madrugada" - "o trabalho é bom para eles! melhor estarem fazendo pão do que enchendo a cara pela rua!" - "O que?! Não senhor! os trabalhadores tem direitos! tem familia! namorada! - "ahhh então andavas te engraçando com o padeiro do seu Fidalgo né?" - "err... Eu nao! mas te coloca na pele deles" - "eu sei o que é se padeiro, amassar e amassar pros outros comerem ... ah vida ingrata!" - "ahhh sim.. tu que es o corno que se mudou pra ca essa semana né? muito prazer me chamo Silvana" - "ahhh sim... a boqueteuira da padaria, dia desses fui lá comprar pão e vi eles falando do sanduba que eles te davam pra comeres com um recheio carnudo".
Escrito por Antonio Pereba às 23h38
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- Coxinhas e bilhar! - O que?! Ta doido?! A menina pergunta o que tu gostas, tu fala que gosta de coxinhas e de bilhar? É assim que tu queres desencalhar? Eu não acredito nisso! - Bom, eu queria ser sincero! E eu realmente gosto muito de coxinhas! E de bilhar também! - Poxa, cara! Mas não é assim que funciona! Tens que dizer que gostas de coisas abstratas! É disso que as meninas gostam! - Abstrato? Igual àqueles quadros horríveis? - Mais ou menos... Por exemplo, diga que gosta do luar... do brilho das estrelas, de como os dias de chuva te fazem sentir... essas coisas. - Ah, ta! Mas isso não é meio gay? - É, olhando por esse lado, até que pode ser... mas elas gostam, cara! Vai por mim que você se dá bem! - Hum... - Bem, ok. Depois disso, como continuou a conversa? - Bom... ficamos um pouco sem assunto. Aí depois eu perguntei o signo dela! Bela jogada, hein?! Por essa você não esperava! - Signo?! É, tens razão, por essa eu não esperava! Onde você estava com a cabeça?! Vai o que agora? Prestar consultoria com os astros? - Ah, é?! O que tu sugeres então, se não tinha assunto?! - Ah, sei lá! Poderias ficar olhando pra ela, sorrir de vez em quando... - Pra que isso, rapaz?? - Bom... ela poderia sorrir também, constrangida, e perguntar ‘o que foi?’, ai você dizia ‘nada, é que eu gosto do seu sorriso’. - Ai, é mesmo, é mesmo! Fala mais, fala mais! - Bom, aí ela com certeza ia continuar sorrindo... - E daí, e daí? - Ah, sei lá.... Olhava pros olhos dela e dizia ‘nossa, seus olhos ficam com uma cor legal contra a luz’. - Ah, isso não ia dar não. - Porque não? - Porque não dava pra ver direito os olhos dela. Ela tava me olhando com eles fechadinhos, como se estivesse com sono. - (Fazendo ‘não’ com a cabeça) Estou pasmo! Estou pasmo! Ela também segurava o queixo com a mão? - Hum... não sei... uma das mãos estava no meu ombro... a outra eu não estou bem lembrado.. - O teu ombro? Como assim? - É. É que ela tinha escorregado, e segurou o meu ombro pra não cair... aí não tirou mais a mão. - Meu Deus, meu Deus! O que mais você queria? Que ela te tascasse um beijo logo? - (Suspiro) Ah.... era isso sim... como eu queria... um só beijinho... - E até aí, tu não tentaste nada? - Não... ela é uma menina de respeito! - Cara... mas... Vamos recapitular! Vocês estavam de pé, um de frente pro outro, ela com uma mão no teu ombro, te olhando com cara d peixe morto... e você não fez nada, certo! - Certo, isso aí! - Ah... porque isso não acontece comigo?! - Isso eu não sei, mas cara, eu tenho que ir. - Vais pra onde agora? - Vou encontra-la. Ela me convidou pra ir na casa dela hoje. Você sabe, pra uns amassos mais apimentados. - HÃ??? - É, depois dois beijos de ontem, ela parece que gamou! Não larga mais do meu pé! - HÃ??? Mas, mas... como tu conseguiste? Ela era uma gracinha! O que tu falaste? - Depois, depois.
Escrito por Sósia do Abstrato às 09h40
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Roleta Russa
Era como ele ganhava a vida. Uma chance em seis. Colocava uma bala no tambor e girava, botava a arma na cabeça e puxava o gatilho. Um grupo de desocupados e sádicos pagava algumas de suas infinitas moedas para ver o espetáculo de uma cidade sem oportunidades, na esperança de chegar o dia, e ele ia chegar, em que pegariam os trocados de volta, pois não valeriam nada para um cadáver desfigurado.
Um homem, um nada. A perfeita definição. Talvez tenha sido ele a única pessoa que percebera isso, ou talvez única com coragem o suficiente para pôr em pratica o que descobrira. Talvez na volta possa se tornar numa pessoa como aquelas que o rodeavam, com ilusões grandes o suficiente para acreditar que tudo aquilo era o que queriam. Mas ele queria isso? Na volta, ele saberia disso? Decidiu que a segunda pergunta era mais relevante.
Puxou o gatilho, o estrondo fez com que alguns espécimes de urubu das redondezas levantassem vôos frenéticos. Duas mulheres gritaram. O corpo caiu no chão desfigurado. Algumas pessoas pegaram de volta suas moedas, alguns pegaram mais do que tinham dado. Um homem correu para pegar o ônibus, aproveitando que o semáforo ainda estava fechado. Se alguém tentasse roleta russa novamente com aquele revolver era mais fácil morrer atingido por um raio de acordo com a probabilidade, alguém constatou. Não havia mais bala na arma.
Era como ele ganhava a vida.
Escrito por Sósia do Abstrato às 10h41
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a insanidade está distante
16.03.04 - Academia - 19hs -Cara nao acredito q ela vai viajar assim tao de repente! -Tens q entender o problema q a irma esta passando... -Mas ela poderia ter conversado antes, eu poderia ter ido com ela! -Em pouco tempo ela estará de volta.
23.03.04 - Pizzaria - 21hs -Ela viajou ontem... -e?? -Parecia muito feliz, nem parece q a irma esta doente. -Toda viagem nos anima, ainda mais quando eh pra ver alguem q temos tanta falta.
04.04.04 - jogando ping pong - 9:30hs -Rapaz, ateh agora nem sinal dela, o q será q aconteceu?? -nao tenho a minima ideia. -jah vivestes um grande amor?? -ateh agora nao... -É isso q to vivendo! -beleza... -Conversa comigo! nao kero mais jogar!
22.04.04 - partida de xadrez 22hs (Um mes depois da viagem) -Cara, essa mulher tah pra me deixar louco, ontem recebi um email dela q dizia: "estou viva ainda!! Eu vez por vezes mando email, mas vc não responde, o q fazer??". E esse foi o 1º email a chegar! -... (apos mexer o cavalo) ...respondestes esse email? -Sim! com perguntas de como vao as coisas por lah! -Agora vcs tem como se comunicar... -Pedi um numero de telefone pra entrar em contato, como a voz dela me faz falta!
01.05.04 - no carro, voltando de viagem -e ae rapaz, ela nao retornou teu email?? -retornou. Desejou um bom fim de semana, disse q a irma jah esta com a saude estabelecida e o q me preocupou foi q ela disse q talvez nao volte mais. -o q?? isso soh pode ser brincadeira...
08.05.04 - ligação telefonica de madrugada -Alo? -po cara, desculpa eu te ligar essa hora... ...ela disse q arrumou alguem especial... -ela quem?? kem tah falando?? q voz eh essa de choro?? - ....
um dia qualquer do mes de junho - mensagem da secretaria eletronica
...meu grande amigo do peito! estou viajando hoje, vou atras do meu amor, deseje-me uma boa sorte e reze por mim! abraços!...
11.06.04- Telefonema
-Rápido q eh interurbano! Eu a encontrei! Disse q a amava e q keria casar com ela... -Mas existe outro?? -Existe, eh complicado explicar por telefone... -Explicar o q?? -Ela esta com o casamento marcado! A historia eh longa mas tudo vai se resolver, jah combinamos q no dia do casamento eu a roubo do altar! Nós nos amamos de verdade! - Como é?? -Está acabando minhas unidades, o casamento eh domingo 13 agora, pelo dia 15 estou por ai! abraços!
18.06.05 - Em um Aniversario qualquer
-Psiu! Aqui! -Cara! pensei q tinhas morrido!! o q aconteceu!! -O q imaginares de pior... -como assim?? kd a sua amada?? -Cheguei por lah e ela estava noiva, sua irman nunca adoeceu, apenas encobriu tudo... como fui besta!! -mas vc nao ia resgata-la do altar?? -Acreditei q ela ainda me amava, ela sugeriu q eu a roubasse do altar, como prova de amor e pra dar uma pitada de aventura ao relacionamento. Combinamos tudo! a cerimonia começou, eu estava lah vendo tudo, desde o inicio, mais nervoso q os noivos e qualquer um ali, aguardando a hora certa para o unico ato heroico da vida jah vivido. Quando o Padre disse: "se alguem tem algo q impeça...." eu jah fui me posicionando ao corredor central, "...diga agora ou cale-se para sempre!" levantei o braço, disse q a amava, todos os presentes fizeram um coral parece a torcida gritando quando o jogador perde o penalti da vitoria. Me aproximei para te-la em meus braços e fugir,ali eu me senti o mais bem aventurado homem da terra, ateh chegar em meus ouvidos sua voz de terror gritando para o mundo ouvir q eu era louco, ela gritava: "Ele é louco!" e o noivo gritava: "Peguem esse patife!". Corri como jamais corri em meus quase trinta anos, me deparei com a porta fechada, todos a me cercar, sem escapatoria! -E o q aconteceu!! -Se fosse vc, o q faria nessa situação??? a unica coisa q pude fazer foi fingir um desmaio... -boa saida. -Mas isso nao me livrou de alguns chutes e ponta pés, ateh q ouvi o padre pedindo pra parar, pensei q ele ia me ajudar, mas seus coroinhas jah vinham com a camisa de força. -Camisa de força! -sim, ela jah tinha pensado em tudo, ateh em como se livrar de mim. Estive esse tempo todo no manicomio, me soltaram no dia em q ela completou 1 ano de casado. Depois de tudo isso, nao sei o q eh melhor, a loucura ou a sanidade. -Vamos q tah na hora do "Parabens pra vc!", esse bolo parece estar muito bom, depois a gente fala mais de suas aventuras. -Cheguei a te falar o q fiz com o padre assim q sai do manicomio?? -nao. o q foi? -depois da sobremesa eu te digo.
Escrito por Valentim às 19h53
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A rua. É só atravessar! Dizia a voz em sua cabeça. Mas Marloncio sabia que não era bem assim. Aquele dia, aquela rua... Marloncio agora se preparava para a que seria a ultima travessia.
Algo estranhamente ruim acontecia naquela noite de quarta-feira. A terça-feira anterior tinha sido de muita farra, e a velha dor de cabeça era a companheira de Marloncio nessa noite. Mas, umas boas pernadas de um bom treino de capoeira, com certeza o fariam melhorar. É... Esse é o espírito!
Marloncio agora esperava acordar em sua cama, depois de um sonho bastante estranho, mas que estava demorando demais pra acabar. Era impossível atravessar aquela rua!
Marloncio perdeu as contas de quantas vezes tentara atravessá-la de forma inútil. Antes de pisar do outro lado da rua, inexplicavelmente era redirecionado novamente ao inicio... do lugar de onde iniciara sua travessia, como em um disco quebrado rodando na vitrola de um bêbado amargurado que adormecera escutando uma canção ordinária que fazia seu coração acalorar-se. Isso aconteceu. Nem uma vez. Nem duas vezes. Aconteceu Muitas vezes.
A fase do espanto passara... Marloncio a superara antes da décima vez de tentar completar a travessia. A fase do desespero também. Marloncio chegou a se jogar na frente de um velho Chevette que transitava por ali. Não adiantou. Como por mágica, apareceu novamente na rua, no mesmo lugar do inicio de sua travessia. Então, Marloncio resolveu apreciar um pouco: beijava lindas moças que passeavam despreocupadamente pela rua, arrancou a bengala da mão de um senhor de idade e furou o pneu de um velho militar que com certeza não estava de bom humor, e, então, tentou atravessar a rua. Plin! Lá estava ele de novo no ponto de origem, sorrindo alegremente. A moça, o velho com a bengala, o militar estavam todos ali, intactos, como se nada tivesse acontecido. Até esqueceu da dor de cabeça.
Ah... eu poderia ficar assim eternamente... mas não vou ficar! Então, Marloncio decidiu não atravessar a rua, deu meia volta e voltou pra casa. Não houve mais nada sobrenatural naquela noite.
Escrito por Sósia do Abstrato às 01h07
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